Conheça o Vovô dos Bordados em Ponto Cruz

Olá meninas e meninos!
Para quem acha que não é capaz de aprender algum tipo de artesanato, que já é tarde demais ou que tem uma certa preguicinha, veja como você está errado(a), pois o artesanato faz bem para todas as idades, uma verdadeira terapia para o coração. Conheça o Vovô dos Bordados em Ponto Cruz!
Hoje li esta linda reportagem, o vovô de 90 anos é Nilson da Silva Pinto, mecânico aposentado que borda o ponto cruz em colchas, toalhas e outros acessórios decorativos. O material é fornecido pelo Centro Espírita Semente da Caridade que ele frequenta. Depois de prontas, colchas, toalhas e tudo mais são novamente encaminhados ao Centro, onde é feito regularmente um bazar. A arrecadação dos donativos mantém projetos como o Vida Melhor, que mantém crianças, adolescentes e adultos longe das ruas, ensinando artesanato. Seu Nilson explicou que aprendeu bordar na escola regular, na Antonio Padilha, onde na época o bordado era disciplina e todos tinham de aprender.
Leia abaixo o artigo na íntegra:

Aos 90 anos, mecânico aposentado é voluntário e faz bordados


Nilson da Silva Pinto tem a pele clara enrugada e os poucos cabelos que lhe restam são branquinhos, branquinhos. O corpo é franzino, as mãos tremem um pouquinho e a voz já é rouca. São sinais da velhice. Afinal, lá se vão exatos 90 anos. Mas apesar disso, "as vistas", assim como a memória, estão melhores do que nunca. São reflexos de uma vida guiada pelo trabalho, amor à família e doações ao próximo. Sim, seu Nilson tem sua religiosidade. E por isso, desde criança, se manteve à luz da doação. "O que mantém o coração aberto", explica.

Por conta disso, quem o vê, não imagina. Com as mãos calejadas - devido ao uso das ferramentas para o conserto de carros, ao longo de mais de 30 anos -, ele delicadamente manuseia agulhas e linhas para o bordado do ponto cruz em colchas, toalhas e outros acessórios decorativos. E é ali na sala, em meio as cores e estampas, que ele passa horas. "Se deixar, o dia inteiro", denuncia a única filha, Regina Célia Arêas Pinto, de 65 anos, professora, também aposentada. O material é fornecido pelo Centro Espírita Semente da Caridade, que eles frequentam. Às vezes, fruto de doações.


E depois de prontas, colchas, toalhas e tudo mais, são novamente encaminhados ao Centro, onde é feito regularmente um bazar. A arrecadação dos donativos mantém projetos como o Vida Melhor, que é desenvolvido no jardim Aeroporto e mantém crianças, adolescentes e adultos longe das ruas, ensinando artesanato. E a "corrente do bem", explica seu Nilson, começa no coração. "Meus pais frequentavam o Centro quando eu era pequeno. Na escola regular, na Antonio Padilha, onde estudei, bordado era disciplina e todos tinham de aprender", recorda.


Mas a vida do aposentado não foi assim tão simples. Ele se casou com dona Diva Pinto, falecida há alguns anos, e teve a filha Regina. Mecânico por formação e vocação, sustentou a família ao som do martelo. Enquanto isso, a esposa e a filha prosseguiram com o voluntariado e as caridades. "Eu havia esquecido como bordar, até que me casei. Diva sempre gostou de trabalhos manuais e fazia-os com certa frequência", lembra-se. E justamente por vê-la fazê-los e doar-se, seu Nilson optou, há umas seis décadas, a copiá-la. "Depois do trabalho ficávamos os dois, volta e meia, bordando", conta rindo.


Os trabalhos fizeram sucesso e seu Nilson ganhou fama entre os espíritas. "Não há quem não comente os bordados do papai. Sempre que há bazares, há que procure as peças dele", orgulha-se a filha que acrescenta: "São trabalhos minuciosos, alguns levam três meses para ficarem prontos", ressalta ela que, agora se reveza com o pai nos trabalhos manuais. "Não tive filhos, mas trabalhei a vida toda com crianças e adolescentes, o que me preencheu. Agora, ensino jovens e mulheres a pintar telas", conta. 


Por conta disso tudo seu Nilson não faz encomendas particulares e só trabalha em casa. "Eu gosto da paz, de me entreter com o silêncio das linhas", explica ele, que não vê problema em admitir que um mecânico também pode fazer coisas delicadas. Tanto é que mais recentemente o aposentado começou a fazer o ponto cruz em telas de tapeçaria. "Ele é curioso", explica Regina. Já seu Nilson garante: "Trata-se de terapia". Tudo começou quando ele viu uma vizinha fazendo a tela. Então, resolveu aprender também. "E fui logo fazer uma onça", fala rindo. 


É que a dificuldade de bordar o animal acabou por fazê-lo excelência no assunto. Daí, não parou mais. "Mas as telas eu faço por distração, para mudar um pouco", diz referindo-se aos trabalhos com as toalhas. "Doar tempo e conhecimento não faz bem somente a quem recebe, faz melhor a quem doa", explica a filha, que como aprendeu com os pais, também ensina o que sabe aos atendidos do projeto Vida Melhor. "Sempre trabalhei com crianças e adolescentes. Agora, aposentada, os ensino a pintar em tela", conta. "Ela aprendeu o sentido da vida", ensina seu Nilson.
Notícia publicada na edição de 20/09/13 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno Ela - 

Fonte: www.cruzeirodosul.inf.br/materia/503175/aos-90-anos-mecanico-aposentado-e-voluntario-e-faz-bordados

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